Santa Catarina abriga espécie de árvore considerada “super rara” ainda pouco conhecida pela ciência
Ecólogos da UFSC dizem que o Crinodendron brasiliense é uma espécie em perigo de extinção
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O fruto do Crinodendron brasiliense se parece com um pequeno abajur. Foto: Rafael Barbizan e Sophia Kusterko
Crinodendron brasiliense ou cinzeiro-pataguá é uma árvore considerada “super rara”, encontrada durante um estudo de campo numa pequena área localizada nas regiões montanhosas do Planalto Serrano Catarinense. “Estávamos fazendo a medição de árvores de um projeto de monitoramento no Parque Nacional de São Joaquim, onde acabamos encontrando 59 indivíduos da espécie, o que despertou a nossa atenção para investigá-la”, diz o ecólogo Eduardo Luís Hettwer Giehl.
Com esse objetivo em mente, Eduardo Giehl e Rafael Barbizan – pesquisadores no Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, lideram um estudo inédito, cuja proposta de pesquisa envolve o monitoramento do cinzeiro-pataguá com o objetivo de realizar um levantamento mais abrangente dessa espécie de árvore ameaçada de extinção e restrita à região.
A extinção de populações e espécies é algo que afeta o ecossistema e a biodiversidade. Para o professor Eduardo e a equipe de pesquisadores, a dor da perda de uma única espécie é imensa, maior ainda quando pouco se sabe sobre ela. “Para nós é um abalo muito grande perder uma espécie, queremos preservar todas e o cinzeiro-pataguá está numa situação bem delicada”, explica o ecólogo.
Todo cientista é movido a entender “porquês”. Isso mobiliza o grupo de pesquisadores da UFSC a investigar por que a espécie Crinodendron brasiliense é tão rara. Além disso, por que não existe em outros locais além das regiões montanhosas do Parque Nacional de São Joaquim? Isso é o que o grupo de ecólogos da UFSC busca entender: “Pode ser um problema na germinação dela, ou depois que ela germina, um animal vem e come. Pode ser que a sobrevivência dessas mudas dependa de uma quantidade de luz específica, até mesmo mais ou menos umidade”, argumenta Rafael, ecólogo integrante do grupo de estudos. Há necessidade de realizar uma investigação aprofundada, o que significa investidas a campo, ou seja, no habitat natural desta espécie.
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